20 sites falsos por dia: o golpe já está pronto para a sua Black Friday
Por Redação Click Alert ·14 outubro 2026
Enquanto o time de marketing fecha criativo, estoque e verba de mídia para 27 de novembro, outra operação já está trabalhando com o mesmo calendário. Ela usa o seu logo, o seu nome e a sua oferta, e não precisa de aprovação de ninguém para ir ao ar.
O Mapa da Fraude da Serasa Experian, divulgado em setembro, mediu o primeiro semestre de 2026. Foram 20.840 anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos identificados entre janeiro e junho, alta de 27,2% sobre o mesmo período de 2025. Dois números chamam atenção para quem vende online:
Mais de 20 sites falsos por dia. As páginas fraudulentas cresceram 107,1% em um ano.
Mais de 70 anúncios falsos por dia. Foram 12,9 mil no semestre, alta de 19,5%. Anúncio falso é a maior categoria do levantamento, com 62% de todas as ocorrências.
Esses números são de um semestre comum. A Black Friday concentra, em poucos dias, o maior volume de busca por marca, o maior volume de oferta e o consumidor mais disposto a clicar em desconto. É a data em que o golpe rende mais com o mesmo esforço.
Como o golpe chega até o seu cliente
A Serasa descreve a jornada assim: a abordagem começa em um anúncio ou mensagem, leva para um perfil ou site falso e termina com o pedido de dado pessoal ou de pagamento. Cada etapa usa um ativo da marca.
O anúncio usa o nome e a oferta. O perfil usa o logo e a foto do produto. O site copia layout, cores e textos de segurança. No começo do ano, a ESET identificou páginas que reproduziam com alta fidelidade a identidade visual de Shopee e Latam para coletar CPF de vítimas, divulgadas por anúncios em redes sociais e por mensagens em massa.
O selo de verificação também não resolve. Em agosto, o NetLab da UFRJ encontrou 69 campanhas fraudulentas no Google usando marcas do governo federal, e todos os anunciantes apareciam como verificados pela plataforma. Em outro levantamento, sobre a Meta, o mesmo laboratório mapeou 544 anúncios falsos: 72% usavam nome ou imagem de governo, Serasa, Caixa, Banco do Brasil ou Itaú, e 38,1% tinham conteúdo gerado por IA.
Se marcas desse porte aparecem em escala nos anúncios de golpe, uma marca de varejo em plena Black Friday está no mesmo cardápio.
Quem paga a conta
O consumidor que cai no golpe raramente separa a loja falsa da verdadeira. Ele lembra do nome que viu no anúncio. A reclamação chega no SAC da marca, a avaliação negativa vai para o perfil oficial e o pedido de explicação aparece nos comentários do post patrocinado legítimo.
Existe também o custo de mídia. O anúncio falso disputa o mesmo leilão, a mesma palavra-chave e o mesmo público que a campanha oficial. Em uma auditoria conduzida pela Click Alert no setor de telecom, 65% dos anúncios que apareciam na busca pela marca pertenciam a terceiros. Parte desse espaço era concorrência e parte era uso indevido. O efeito no bolso é o mesmo: a marca paga para gerar a demanda e outra pessoa recolhe o clique. (No artigo 51, falamos do lado do brand bidding. Aqui, o foco é o lado criminoso do mesmo problema.)
O próprio diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da Serasa Experian, Rodrigo Sanchez, coloca a responsabilidade na mesa: para as empresas, monitorar o uso indevido de marcas e identificar esses conteúdos rapidamente faz parte da estratégia de prevenção.
O problema de esperar a data é de tempo. Um site falso derrubado na terça seguinte à Black Friday já fez o estrago dele.
Checklist: o que fazer em cada semana até 27 de novembro
Até 31 de outubro: mapear o terreno
1. Levante os domínios parecidos com o da marca: variações de grafia, troca de letras e combinações com "promo", "oficial", "outlet" e "blackfriday", além de extensões como .shop, .store e .online.
2. Pesquise o nome da marca na Biblioteca de Anúncios da Meta e na Central de Transparência de Anúncios do Google. Registre o que já está no ar hoje.
3. Varra Instagram, Facebook, TikTok e WhatsApp Business atrás de perfis que usam o nome, o logo ou fotos de produto da marca.
4. Monte a linha de base: quantas ocorrências por semana existem em outubro. Sem esse número, não dá para saber em novembro se o problema cresceu.
De 1 a 15 de novembro: deixar a resposta pronta
5. Defina quem decide e quem executa a denúncia. Marketing, jurídico e segurança precisam saber quem age sem esperar reunião.
6. Padronize a coleta de prova: print com data e hora, URL completa, ID do anúncio e nome do anunciante. Denúncia sem prova volta para a fila.
7. Deixe o modelo de notificação extrajudicial aprovado pelo jurídico antes de precisar dele.
8. Cadastre a marca nos canais de denúncia de propriedade intelectual de cada plataforma e teste o fluxo com uma ocorrência real.
9. Publique uma página de canais oficiais no site: domínios, perfis e formas de pagamento aceitas. Diga com clareza o que a marca nunca pede, por exemplo Pix para pessoa física ou pagamento por link no WhatsApp.
10. Treine o SAC com um roteiro para relato de golpe e um campo próprio para registrar o caso. O atendimento vira um sensor de detecção.
11. Envie aos afiliados as regras de uso da marca na Black Friday: termos proibidos em anúncio, uso de logo e cupons autorizados.
De 16 a 26 de novembro: monitorar todo dia
12. Acompanhe diariamente os anúncios que combinam o nome da marca com "Black Friday", "cupom", "desconto" e "liquidação".
13. Fique de olho em domínios novos registrados com o nome da marca nessas semanas.
14. Procure vídeos com porta-voz, executivo ou influenciador contratado anunciando oferta que a marca não fez. Deepfake já faz parte do kit do golpe.
15. Priorize pelo risco. Oferta com preço muito abaixo do mercado, pagamento fora do checkout oficial e link fora do domínio da marca vão para o topo da fila.
De 27 a 30 de novembro: plantão
16. Faça varreduras em intervalos de horas durante a Black Friday e a Cyber Monday (30/11).
17. Monte uma sala de guerra com mídia, jurídico, SAC e segurança no mesmo canal, com acesso direto à decisão.
18. Escale cada ocorrência crítica para a plataforma no mesmo dia, com a prova completa.
19. Avise o consumidor nos canais oficiais assim que um golpe relevante for identificado. Um post fixado no perfil protege mais do que dez respostas no SAC.
Em dezembro: fechar a conta
20. Consolide o número de ocorrências, o tempo médio até a remoção, o volume de relatos no SAC e os termos de busca mais explorados. É esse relatório que justifica orçamento de proteção em 2027 e calibra o monitoramento para o Natal.
O que um monitoramento manual não alcança
Dá para cumprir boa parte desse checklist com pesquisa manual, e vale começar assim. O limite aparece rápido. Os anúncios variam por região, horário e perfil de usuário, então o que uma pessoa vê no próprio celular é uma amostra pequena. Muitas campanhas de golpe ficam no ar por poucas horas e somem antes da próxima busca. E, na semana da Black Friday, o time que deveria monitorar está ocupado operando a própria campanha.
A Click Alert monitora anúncios de busca com o nome da marca em todo o Brasil, de forma contínua, identifica uso indevido por terceiros e entrega a prova pronta para a remoção. Ainda dá tempo de fazer o mapeamento antes de 31 de outubro. Solicite um diagnóstico em clickalert.net.
---
FAQ (schema FAQPage)
Quantos sites e anúncios falsos surgem por dia no Brasil?
Segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian, no primeiro semestre de 2026 foram identificados, em média, mais de 20 sites falsos e mais de 70 anúncios falsos por dia. No total, foram 20.840 anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos entre janeiro e junho, alta de 27,2% sobre o mesmo período de 2025.
Por que a Black Friday concentra golpes com marcas conhecidas?
Porque a data reúne o maior volume de busca por marca, o maior volume de oferta e consumidores mais dispostos a clicar em desconto. Golpistas usam nome, logo e identidade visual de marcas reais em anúncios e sites falsos para aproveitar a confiança que essas marcas já construíram.
A empresa tem responsabilidade quando um golpista usa a marca dela?
A responsabilidade jurídica depende de cada caso. O impacto, por outro lado, chega sempre à marca: reclamações no SAC, avaliações negativas e perda de confiança. Por isso, a própria Serasa Experian recomenda que as empresas monitorem o uso indevido da marca em anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos.
O selo de anunciante verificado garante que o anúncio é legítimo?
Não. Em agosto de 2026, o NetLab da UFRJ identificou 69 campanhas fraudulentas no Google usando marcas do governo federal, e todos os anunciantes apareciam como verificados pela plataforma. A verificação confirma a identidade de quem paga o anúncio, e não a autorização para usar a marca.
Quando uma marca deve começar a se preparar contra golpes na Black Friday?
Com pelo menos quatro semanas de antecedência. Esse prazo permite mapear domínios e anúncios já ativos, estabelecer uma linha de base, deixar o fluxo de denúncia e remoção pronto e chegar à semana da data em modo de monitoramento diário.