Sites MFA: os 44 mil domínios que sua campanha nunca escolheu | Click Alert
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Os 44 mil sites que a sua campanha nunca escolheu.

Por Redação Click Alert ·15 setembro 2026

Ninguém aprova 44 mil domínios. Ninguém senta com o time de mídia, abre uma planilha e assina embaixo de cada um deles. E ainda assim, é essa a escala média de onde uma campanha programática roda hoje, segundo levantamento da ANA (Association of National Advertisers).

O número que deveria assustar não é o do desperdício. É o da escala. Sua marca está anunciando em lugares que nenhum humano jamais escolheu, aprovou ou sequer abriu no navegador.

Uma fatia relevante desses domínios nem existe pra ter audiência. Existe pra vender impressão.

São os chamados sites MFA — made-for-advertising. Páginas montadas com um único propósito: gerar inventário publicitário. Conteúdo raso, produzido em escala, muitas vezes por IA, recheado de anúncios em cada centímetro de rolagem. Ninguém lê. Ninguém decide comprar nada ali. Mas o leilão programático não sabe — ou não se importa — com a diferença entre uma página que informa e uma página que só existe pra ser clicada por engano.

O dado da ANA: esses sites respondem por 21% de todas as impressões programáticas do mundo e consomem 15% do investimento global em mídia digital — algo em torno de US$ 13 bilhões por ano em receita, sem entregar audiência real do outro lado.

E o caso que prova que isso não é problema de anunciante amador: a própria Forbes caiu nessa. Um estudo de 2023 identificou que a editora — uma das marcas de mídia mais respeitadas do planeta — rodava uma seção paralela recheada de conteúdo de baixíssima qualidade, otimizado unicamente para capturar inventário programático. Se um veículo do porte da Forbes precisou de auditoria externa pra enxergar isso dentro da própria casa, o que dizer do inventário que sua agência compra através de três, quatro intermediários na cadeia de supply?

Tradução pro mercado brasileiro: o investimento em mídia digital no país bateu recorde em 2025, com R$ 42,7 bilhões movimentados — alta de 12,7% frente ao ano anterior. Se a proporção global de MFA se repetir por aqui — e não há motivo estrutural pra achar que o Brasil é exceção nesse ecossistema —, estamos falando de uma fatia bilionária da verba nacional indo para páginas que nunca foram vistas por um ser humano com intenção de compra.

Isso não é uma acusação a nenhuma plataforma específica. É uma característica estrutural do mercado programático: cada intermediário na cadeia — SSP, DSP, exchange, ad network — tem incentivo pra maximizar volume de impressão, não qualidade de audiência. Sem auditoria independente, ninguém na cadeia é obrigado a te mostrar onde seu anúncio realmente aparece.

O que isso parece na prática

Pega um e-commerce nacional de médio porte, verba mensal de performance rodando full-funnel em programática. Sem visibilidade de supply chain, é plausível que uma parcela de dois dígitos dessa verba esteja pagando por impressões em domínios MFA — sites que nunca vão gerar um clique qualificado, muito menos uma venda. O CPC sobe, a taxa de conversão cai, e o time de mídia interpreta isso como "o público está saturado" ou "o criativo cansou". Ninguém questiona o inventário, porque ninguém tem visibilidade sobre ele.

É o mesmo padrão que já vemos em brand bidding e tráfego inválido: o problema não aparece no dashboard como "fraude" ou "desperdício". Aparece como métrica de performance em queda — e o time otimiza a coisa errada.

O que fazer com isso

Auditoria de supply chain programática não é luxo de anunciante grande. É o único jeito de responder uma pergunta simples: onde, exatamente, meu anúncio está aparecendo?

Isso significa mapear o inventário real por domínio, identificar concentração em sites de baixa qualidade ou MFA, e negociar exclusões diretamente com DSPs e trading desks — em vez de confiar que a otimização automática da plataforma vai resolver sozinha. Marcas que fazem essa auditoria de forma recorrente reportam quedas de CPC de até 65% e aumento de até 30% no tráfego qualificado, simplesmente por parar de pagar por inventário que nunca teve chance de converter.

A pergunta não é se existe inventário podre na sua mídia programática. É se alguém, na sua cadeia, está olhando pra isso.

FAQ (schema FAQPage)

O que são sites MFA (made-for-advertising)?
São páginas construídas com o único objetivo de gerar inventário publicitário, sem propósito editorial real. Costumam ter conteúdo raso ou gerado em escala, alta densidade de anúncios por página, e nenhuma audiência genuína consumindo o conteúdo.

Qual a real dimensão do problema de MFA na mídia programática?
Segundo a ANA, sites MFA respondem por 21% das impressões programáticas globais e consomem 15% do investimento em mídia digital — cerca de US$ 13 bilhões por ano em receita sem entrega de audiência real.

Como uma marca descobre se está pagando por inventário MFA?
Só através de auditoria de supply chain programática, que mapeia por domínio onde as impressões estão sendo compradas e identifica concentração em inventário de baixa qualidade — informação que não aparece nos dashboards padrão de DSP.

Isso é um problema específico de alguma plataforma ou rede de mídia?
Não. É uma característica estrutural do ecossistema programático: cada intermediário da cadeia tem incentivo econômico para maximizar volume, não qualidade de audiência. O problema atravessa SSPs, DSPs e exchanges.

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