Nem humano, nem bot: quem está vendo o seu anúncio agora?
By Redação Click Alert ·27 October 2026
Seu cliente pediu para a IA encontrar o melhor tênis de corrida de até R$ 600. O agente abriu doze páginas, carregou seis banners, clicou em três links patrocinados, comparou preço, frete e prazo. Fechou a compra em outra loja.
No seu painel, isso pode aparecer como impressão, clique e sessão. Talvez até como “público engajado”.
Só que ninguém olhou para o seu anúncio. Quem passou por ele foi uma máquina.
A terceira categoria que a mídia ainda não sabe medir
Durante anos, a verificação de tráfego trabalhou com uma divisão relativamente simples: de um lado, pessoas; do outro, bots. A primeira categoria representa a audiência que o anunciante quer alcançar. A segunda exige filtros para identificar automação inválida.
Os agentes de IA embaralharam essa conta. Navegadores agênticos, como o Atlas, da OpenAI, e o Comet, da Perplexity, podem pesquisar produtos e percorrer sites a pedido de consumidores reais. Não são, por definição, fraude. Mas tampouco consomem publicidade como uma pessoa.
Um agente pode carregar um banner sem prestar atenção à mensagem, visitar uma página sem formar lembrança de marca e clicar em uma oferta apenas para extrair informações. Isso não torna toda interação inválida. Torna insuficiente presumir que cada impressão ou clique represente a mesma oportunidade de comunicação.
O desafio é distinguir três situações: uma pessoa navegando, um agente legítimo executando uma tarefa e uma automação maliciosa tentando parecer legítima.
No pagamento, o problema já ficou evidente
O setor de pagamentos começou a lidar com essa distinção porque um agente autorizado pode apresentar sinais parecidos com os de uma operação fraudulenta. A Visa já apontou esse conflito nos sistemas tradicionais de prevenção a fraudes e avançou em mecanismos para identificar agentes confiáveis.
Há também o risco inverso: criminosos imitarem o comportamento de assistentes de compra. Segundo dados citados pela Visa em relatório do fim de 2025, as transações maliciosas iniciadas por bots cresceram 25% em seis meses, com alta de 40% nos Estados Unidos.
A Akamai, por sua vez, relatou crescimento de 300% no tráfego de bots com capacidade de IA entre julho de 2024 e julho de 2025 e mais de 25 bilhões de requisições desse tipo no comércio em um intervalo de dois meses.
Esses números não medem, por si só, o desperdício de verba publicitária. Mostram a velocidade com que a automação está mudando o tráfego digital — e por que os critérios de classificação precisam evoluir.
Na hora de pagar, o mercado já está construindo a terceira caixa. Na hora de anunciar, ainda não.
O que muda para quem compra mídia
A primeira consequência está na leitura dos indicadores. Se uma parcela dos acessos vem de agentes, CTR, sessões e atribuição precisam ser interpretados com mais cuidado. Um clique pode sinalizar interesse de compra, coleta automatizada de informações ou atividade suspeita. São comportamentos diferentes dentro de uma mesma métrica.
A segunda consequência é a fraude. À medida que agentes legítimos passam a navegar, comparar e preencher formulários, essas ações deixam de ser sinais suficientes de presença humana. Um bot malicioso pode tentar reproduzi-las para escapar dos filtros.
Isso não significa classificar todo agente como tráfego inválido. Significa exigir transparência sobre a origem e a natureza das interações antes de atribuir valor a elas.
E se a escolha acontecer antes do clique?
Há uma mudança ainda mais profunda. Quando um consumidor delega a pesquisa a uma IA, parte da disputa entre marcas pode acontecer antes da visita ao site: na seleção das opções que o agente decide investigar.
Nesse cenário, importa saber como a marca é descrita, em quais respostas aparece e se entra nas recomendações relevantes para sua categoria. O anúncio continua podendo influenciar a jornada, mas já não explica sozinho como uma marca chegou — ou deixou de chegar — à lista de consideração.
O anunciante passa a ter duas perguntas para responder: quem está interagindo com a minha mídia? E minha marca está presente nas respostas que orientam a pesquisa desses agentes?
Quem está do outro lado?
A entrada dos agentes de IA no comércio digital exige duas frentes de observação. Na mídia, identificar e qualificar o tráfego, sem confundir automação legítima com fraude ou audiência humana. Na busca mediada por IA, acompanhar se a marca está sendo considerada antes mesmo de alguém chegar ao anúncio.
Para isso, vale revisar os relatórios de tráfego, questionar como os fornecedores classificam agentes e bots e monitorar a presença da marca nas respostas de IA. Os dados das plataformas continuam importantes. Só não bastam, sozinhos, para contar a história inteira.
De pouco adianta medir cada clique com precisão se você não sabe quem clicou — ou se a sua marca sequer entrou na comparação.
A Click Alert atua nessas duas frentes: auditoria da qualidade da mídia programática e monitoramento da presença das marcas nas respostas de IA.
FAQ | PERGUNTAS E RESPOSTAS
1. O que é um navegador agêntico?
É um navegador com recursos de IA capaz de executar tarefas a pedido do usuário, como pesquisar produtos, abrir páginas, comparar ofertas e preencher formulários. Atlas, da OpenAI, e Comet, da Perplexity, são exemplos.
2. Tráfego de agentes de IA é tráfego inválido?
Não necessariamente. Um agente pode agir legitimamente em nome de um consumidor. A questão é que suas interações não equivalem automaticamente à atenção humana que muitas campanhas procuram comprar.
3. Como agentes de IA afetam as métricas de mídia paga?
Eles podem gerar impressões, cliques e sessões durante pesquisas automatizadas. Sem uma classificação adequada, esses eventos dificultam a interpretação de indicadores como CTR, engajamento e atribuição.
4. Como a fraude pode explorar a navegação agêntica?
Bots maliciosos podem imitar ações comuns de agentes legítimos, como comparar produtos, percorrer páginas e preencher formulários. Isso aumenta a necessidade de distinguir automação autorizada de atividade fraudulenta.
5. O que visibilidade em IA tem a ver com publicidade?
Agentes e assistentes de IA podem selecionar marcas para comparar antes de visitar um site. Por isso, além de acompanhar campanhas, as empresas precisam observar se e como aparecem nas respostas de IA relevantes para seu mercado.